Recuperar a fachada do prédio é sem dúvida uma das maiores obras necessárias dentro do condomínio. E justamente por isso deve ser decidida com muito cuidado. De acordo com o diretor de uma empresa que atua em recuperação, remodelação e restauração de fachadas, Renato Nahas, é muito importante que o condomínio contrate um consultor técnico que seja especialista no tipo da fachada a ser recuperada. O papel desse consultor será emitir um laudo técnico especificando em detalhes o problema e a solução a ser adotada. O diretor de uma administradora de condomínios, João Luiz Annunciato, vai pelo mesmo caminho. A emissão do laudo é a providência que toma quando há o caso de algum cliente precisar de restauração na fachada do condomínio. “O método de receber vários orçamentos sem ter o laudo como referência é ruim, porque vão aparecer valores muito diferentes e não há garantia de que o serviço seja bem feito”, esclarece Annunciato. O laudo técnico propriamente dito será levado então à assembléia de condôminos. “Na assembléia, os participantes só precisarão decidir sobre preço e condições de pagamento, em cima de propostas de empresas, todas relacionadas ao serviço que está no laudo”. Caso se trate de uma fachada com revestimento (cerâmico, granito, mármore, etc), é então chamado um fabricante do revestimento específico. IMPORTANTE! Considerando a obra em si, enfatiza-se que o fator mais importante nas restaurações das fachadas é sempre a preparação para o acabamento, ou seja, o hidrojateamento, os fundos e os impermeabilizantes, que serão fatores determinantes para a qualidade do serviço.
Atenção!
Uma das perguntas mais comuns entre os proprietários de apartamentos é: como saber identificar se há um problema na fachada do meu prédio? Antes de responder, cabe uma explicação sobre os motivos que levam o Brasil a apresentar tantos problemas nas fachadas.
Como as fachadas características do processo construtivo tradicional brasileiro são constituídas de paredes de alvenaria de vedação com tijolos/blocos cerâmicos e de concreto, é comum, e até previsível, que entre uma vedação e outra haja fissuras e trincas, provenientes da umidade por penetração direta da água de chuva e descolamento de revestimentos. Claro, quanto maior a qualidade da obra, desde os produtos utilizados até a capacitação da mão-de-obra, menos problemas acontecem.
O procedimento
Entre os profissionais do setor, há certa unanimidade quanto ao processo de restauração de fachadas. O mais importante é sempre a preparação para o acabamento, ou seja, o hidrojateamento, os fundos e os impermeabilizantes, que são fatores determinantes para a qualidade do serviço. A depender da altura do edifício, a sua estrutura é dinâmica, movimenta-se, o que pode causar fissuras ou trincas provocando infiltrações de água, atingindo as armaduras (ferro), se for concreto armado.
Consideram-se duas vertentes. Caso a recuperação da fachada seja de patologias, é imprescindível a realização do diagnóstico antes da definição da técnica de recuperação a ser empregada. Para tanto, deve-se adotar a seguinte metodologia de investigação:
1) levantamento de subsídios (vistoria do local, anamnese, ensaios, pesquisa bibliográfica);
2) formulação do diagnóstico (definição da origem e causas dos problemas e mecanismos de ocorrência);
3) definição da conduta (prognóstico, decisão pela intervenção, terapia);
4) avaliação dos resultados e registro do caso.
Caso a recuperação seja em função de problemas, como condições de exposições e gasto natural do material usado, as propriedades do revestimento devem ser respeitadas. Por isso, há várias técnicas e procedimentos. Em linhas gerais, existe o procedimento padrão para qualquer recuperação. Este começa, invariavelmente, com a limpeza e lavagem geral de toda área revestida. Entretanto, cabe lembrar as variáveis específicas para cada tipo de fachada.
Tipos de fachada:
Alvenaria com revestimento tradicional:
Solução, por ordem: hidrojateamento – limpeza; tratamento da armadura e alvenaria; aplicação de um fundo preparador; aplicação de impermeabilizantes; e aplicação de tinta látex acrílico.
Alvenaria com revestimento de argamassa travertino:
Problema muito semelhante ao anterior, mas com solução diferente: hidrojateamento. Após esta etapa, há a necessidade da remoção das placas ou painéis por inteiro. Não é recomendável fazer reparos localizados na fachada. O material utilizado é próprio e de fabricação adequada para este tipo de acabamento.
Cerâmica (pastilhas):
Solução: hidrojateamento; remoção das placas cerâmicas soltas ou pastilhas para o tratamento do substrato; por último, a colocação de novas pastilhas recortadas em placas.
Concreto aparente: tem um processo de recuperação extremamente técnico. Solução: hidrojateamento; processo de lixamento mecânico (utilização de lixadeiras) para remoção de verniz ou resina acrílica. O tratamento da estrutura é igual aos anteriores, mas o material utilizado é totalmente restrito a este tipo de fachada.