Nos últimos tempos, tem-se a impressão de que aumentaram as denúncias envolvendo casos de pedofilia no Brasil e no mundo. Será?
Desde que o mundo é mundo, sabe-se de algum caso envolvendo abusos sexuais contra menores, mas, nunca se falou tanto sobre o assunto. Campanhas têm sido feitas para esclarecer este conceito junto à sociedade: mas, o que é pedofilia afinal?
A pedofilia é a perversão sexual, na qual a atração sexual de um indivíduo adulto ou adolescente está dirigida primariamente para crianças pré-púberes (ou seja, antes da idade em que a criança entra na puberdade) ou para crianças em puberdade precoce.
Uma pesquisa inédita realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica (Nufor) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, apontou que nos últimos cinco anos, o número de casos de violência sexual contra crianças de classe média subiu de zero para 22% nos registros médicos oficiais de São Paulo. Se a pesquisa é inédita, como afirmar que esses casos aumentaram se não havia pesquisa anterior sobre o assunto? De qualquer maneira, o importante é destacar que a sociedade precisa se mobilizar e denunciar quaisquer abusos contra crianças e adolescentes.
O mais grave é que a maioria dos casos acontece dentro de casa, onde, em tese, eles estariam em segurança. Pais e padrastos, que deveriam ser os maiores protetores das crianças, tornam-se vilões em 70% dos casos registrados no país. O combate à pedofilia dentro de casa é dificultado pela falta de atitude em denunciar, e principalmente, pelas mães não acreditarem em seus filhos. As seqüelas do sofrimento dessas crianças e adolescentes podem aparecer na maturidade, em suas vidas sexuais. O abuso desperta o individuo para algo que normalmente só apareceria anos depois, podendo reprimir ou extravasar o comportamento das vítimas em relação ao sexo. Como proteger as nossas crianças desse tipo tão cruel de violência?
“O diálogo com as crianças é sempre uma excelente forma de transmitir valores, costumes, regras sociais. Considerando que a criança não tem idade para compreender com adequação a questão sexual, ainda o adulto ou responsável deve explicar para a criança, de forma natural, que algumas pessoas podem tentar tocar suas partes íntimas (apelidadas carinhosamente de acordo com cada família), de uma forma que elas sintam ficar incomodadas e que, neste caso, elas devem se afastar dessa pessoa e, em seguida, contar o que aconteceu à mãe, ao pai ou à pessoa responsável por ela. É importante deixar claro para a criança que ela não deve estar sempre de acordo com iniciativas alheias para manter contato físico estreito e desconfortável, mesmo que sejam por parte de parentes próximos ou amigos”, recomenda a psicóloga Edna Malheiros, que tem especialização em “Impactos da Violência na Saúde”, promovido pelo Ministério da Saúde e participa de pesquisa sobre “Violência Doméstica e Gravidez na Adolescência”.
Mas, afinal, a quem denunciar um caso de pedofilia?
Procure a polícia, o conselho tutelar, o Disque 100 ou o Disque-Denúncia (181) – esses dois últimos recebem denúncias anônimas. Mas não se cale: pedofilia é crime, denuncie!
Assim, não teremos que ficar contando os casos que acontecem na outra casa – normalmente a do vizinho - que pode muito bem ser a nossa.